CPI da Alerj irá convocar Agência Nacional de Energia Elétrica

CPI da Alerj irá convocar Agência Nacional de Energia Elétrica

Max Lemos
Max Lemos

Em audiência pública realizada na Baixada, moradores da região questionam preço da tarifa cobrada pela Light, que tem uma equipe para atender a cada 3500 habitantes da região.

A falta de fiscalização e transparência nas cobranças das contas de luz foi o tema predominante na audiência pública realizada, nesta sexta-feira (24), em Nova Iguaçu, pela Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar as concessionárias de energia elétrica. Os serviços prestados pela Light foram o alvo central da discussão. A CPI irá convocar no próximo dia 5 de junho, durante reunião em Brasília, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para prestar esclarecimentos junto ao colegiado.

Autoridades locais e moradores da região fizeram diversos questionamentos à Light, sendo a cobrança abusiva e possíveis fraudes na medição do consumo as principais delas. A qualidade do serviço também esteve em xeque. Na Baixada, a Light tem 310 equipes para atender 1,1 milhão de clientes nos nove municípios que a empresa opera na região, ou seja, uma turma para cada 3500 habitantes.

A presidente da CPI, deputada Zeidan Lula, adiantou que o colegiado tem uma agenda marcada para o dia 5 em Brasília com a Aneel, que não compareceu até então a nenhuma das sete reuniões realizadas pela comissão. “A Baixada é uma região que tem uma densidade populacional enorme e a light já controla a distribuição de energia há anos e os problemas são inúmeros. A empresa lidera por cinco anos seguidos o ranking da mais processada no Tribunal de Justiça. Precisamos de uma fiscalização mais rigorosa. Esse distanciamento da Aneel que fica centralizada em Brasília dificulta a fiscalização”, afirma.

De acordo com o Deputado Max Lemos, relator da CPI, a Light terá que apresentar um planejamento de ação para não correr o risco de, no relatório final, a comissão recomendar a perda da concessão do serviço. “Através da audiência pública, a população tem a possibilidade de apresentar suas denúncias e reclamações. Vamos fazer no relatório final um raio x e apontar as soluções que julgamos necessárias. Se a Light não apresentar um planejamento para dirimir todo esse acervo que está sendo montado pela CPI, iremos recomendar ao governo federal que a concessão não seja renovada”, adiantou o deputado Max Lemos.

De acordo com o Superintendente de distribuição da Light, André Luiz Barata, o avanço do tráfico e da milícia têm contribuído para onerar o bolso do consumidor Fluminense. Ele afirma que 35% do custo da tarifa de energia é por conta de tributos. “São cerca de 800 mil clientes em áreas de risco. O índice de furto de energia gira em torno de 25% no estado. Desse volume, 42% estão aqui na Baixada. O estado do Rio de Janeiro deixa de arrecadar R$ 700 milhões de reais em impostos por conta dos gatos”, disse.

Participaram do evento: o presidente da Alerj, André Ceciliano, os deputados estaduais Léo Vieira e Valdecy da Saúde, o prefeito de Queimados, Carlos Vilela, o vice-prefeito de Queimados, Machado Laz, o presidente da Câmara de vereadores de Nova Iguaçu, Felipinho Ravis, além de vereadores e secretários municipais.