Potencial é aqui!

Potencial é aqui!

Max Lemos
Max Lemos

Nova Iguaçu: cidade futuro

Nas andanças por Nova Iguaçu, prestando contas do meu mandato parlamentar, tive a certeza que o município pode muito mais. E como pode! É lamentável constatar que a cidade vive a síndrome da bela adormecida: de olhos fechados para o desenvolvimento econômico. Há mais de 20 anos que uma grande empresa não se instala por aqui. O município estagnou e lidera o ranking nacional do desemprego.

Quando fui prefeito de Queimados encontrei um distrito industrial agonizando. Parecia uma cidade fantasma. Apenas sete fábricas funcionavam e duas estavam fechando as portas. Conseguimos, entretanto, atrair 34 novas grandes empresas e gerar mais de quatro mil empregos. Aqui em Nova Iguaçu o governo municipal não atraiu nenhuma empresa e as que existem estão indo embora. Não há vontade política e muito menos compromisso com a população. Este quadro tem que mudar.

Chega de fazer governo mais ou menos. A cidade tem potencial de sobra. Sua beleza natural é exuberante e rica, mas nunca esteve inserida em planejamentos e muito menos em políticas públicas para incentivar o turismo. O mesmo acontece no setor esportivo. A cidade é celeiro de atletas que buscam reconhecimento fora por falta de apoio municipal. A Vila Olímpica que deveria ser a casa do esporte está abandonada há décadas e somente agora, nas vésperas das eleições, ganha um projeto faraônico.

Eixos como da Estrada Abílio Augusto Távora (antiga Estrada de Madureira) que abriga bairros da periferia e do complexo do distrito de Santa Rita, área de perfil rural, foram desprezados pela Prefeitura. Os moradores ainda convivem com transtornos provocados pela lama, poeira e ausência de água potável e de saneamento básico. Isso sem relacionar a falta de equipamentos públicos essenciais como unidades de saúde, escola e áreas de lazer.

No centro comercial o cenário também é péssimo. Falar de mobilidade urbana em Nova Iguaçu é falar do caos. Carros particulares, transporte público e alternativo dão um verdadeiro nó nas principais vias da cidade. Calçadas sem acessibilidade, esburacadas, desniveladas, sem segurança e sem cuidado. Pontos para embarques e desembarque de ônibus mal localizados e sem qualquer proteção para o usuário. O vai e vem empaca. Nunca se pensou em ciclovias. Na verdade, nunca pensou em planejamento. A população necessita de uma mobilidade adequada e digna. Permissionários dos transportes alternativos asseguram ser perseguidos pelo governo municipal e trabalham desestabilizados. Faltam critérios. Falta respeito.

Minha indignação ainda é maior quando o assunto é saúde e educação. Nessas duas áreas a cidade agoniza. Escolas públicas em péssimas condições. Educação básica sem progresso, sem atualização. A culpa não é dos educadores e nunca será. Eles também fazem parte dos desprestigiados. A culpa é do descaso do governo municipal que fechou os olhos para os avanços de uma educação de qualidade, preparando e qualificando os alunos para o futuro. Creches, essenciais em qualquer cidade do país, são contadas nos dedos, centralizadas e longe da periferia.

Hospital da Posse com os mesmos problemas de sempre, longe das expectativas da boa qualidade e do bom atendimento. Em setembro do ano passado, protocolei na Assembleia Legislativa, o projeto de lei autorizando o governo do estado a destinar recursos para a reabertura do Hospital Iguaçu. A proposta recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão de Saúde e, imediatamente, o governo do estado cuidou de colocar recursos em Nova Iguaçu para que essa unidade fosse reaberta. Estranho é que a Prefeitura esperou passar quase um ano e agora, na reta das eleições municipais, decide anunciar obras de reforma. Enquanto isso, várias unidades de saúde permanecem fechadas e as que existem funcionam em péssimo estado. Não há serviços especializados. A população continua contando com a sorte.